A deficiência na educação para o trânsito de jovens no Brasil
Os acidentes de trânsito constituem uma das principais causas de
morte e hospitalizações de jovens e adolescentes no Brasil. Os
resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense 2009 e Pense
2012), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) revelaram que parcela significativa de alunos do 9º ano do ensino
fundamental não respeitam as leis de trânsito ou se expõem a riscos.
Fatores como o não uso de cinto de segurança em veículos motorizados, a
não utilização de capacete em motocicletas, a direção de veículo
motorizado, assim como o transporte em veículos conduzidos por pessoas
que ingeriram bebida alcoólica foram relatados nas duas edições da
pesquisa.
De acordo com Eduardo Biavati, mestre em sociologia (UnB), escritor e
especialista em educação e segurança no trânsito, é um padrão mundial
de que as mortes no trânsito, mas não só mortes, mas também o volume de
feridos se concentra na faixa etária a partir dos 15 anos de idade até
os 35 anos aproximadamente. “Esse grupo etário de adolescentes e adultos
jovens estão mais expostos. É natural que esse público, se comparado
com grupos mais ou mais novo estejam em circulação”.
Do conjunto de adolescentes na pesquisa do IBGE, 16,1% relatou não
ter usado cinto de segurança, nas ocasiões em que se encontravam em
veículo motorizado dirigido por outra pessoa. Observou-se que 17,5% das
meninas e 14,6% dos meninos não usaram cinto de segurança nos 30 dias
anteriores à pesquisa. Além disso, a direção de veículo motorizado nos
30 dias que antecederam a pesquisa foi declarada por 27,1% do total de
escolares.
Esse é um período em que esses jovens mais ingerem bebida alcoólica, é
um momento de iniciação a direção veicular ou de uma independência para
isso. São vários elementos são só psicológicos, mas também sociais e
coletivos que contribuem para uma super exposição desse grupo jovem ao
risco no trânsito, explica Biavati. Existe um paradoxo, pois esse grupo,
por possuir muito acesso a informação, deveria se cuidar melhor. “Nós
temos uma juventude tão interconectada, com tanto acesso, no entanto,
ainda é o grupo e maior exposição, de maior mortalidade, de maior
ferimento, conforme padrão histórico da violência no trânsito”.
Existe uma urgência, que é impossível escondê-la que é a urgência de
conscientização desse público jovem hoje, diz o especialista.
O papel das autoescolas na formação de motoristas
Existe uma discussão sobre a responsabilidade das autoescolas em não só ensinar novos motoristas a dirigir, mas também despertar neles o respeito e a educação para o trânsito. Segundo Biavati, o papel dos CF’s teve uma ampliação e uma incorporação de muitos temas. A antiga habilitação nas antigas autoescolas era estritamente um aprendizado de placas de trânsito para fazer a prova e aprender a passar a marcha e frear o carro. Em outras palavras, o papel da autoescola era meramente técnica.
Existe uma discussão sobre a responsabilidade das autoescolas em não só ensinar novos motoristas a dirigir, mas também despertar neles o respeito e a educação para o trânsito. Segundo Biavati, o papel dos CF’s teve uma ampliação e uma incorporação de muitos temas. A antiga habilitação nas antigas autoescolas era estritamente um aprendizado de placas de trânsito para fazer a prova e aprender a passar a marcha e frear o carro. Em outras palavras, o papel da autoescola era meramente técnica.
Atualmente, o papel do CFC sofreu uma ampliação e um aperfeiçoamento
muito importante. Exige-se muito mais do que uma autoescola consegue
ensinar. “Não há tempo suficiente nem espaço suficiente para abordar e
transformar o curso de primeira habilitação em uma reflexão sobre a
segurança, sobre a vida. E essa é uma expectativa que não se cumpre e
não é por que os CFC’s são fracos ou irresponsáveis”, argumenta o
especialista.
Educação para o trânsito
De maneira geral, a educação para o trânsito no Brasil elege como
prioridade os alunos do ensino fundamental e estaciona justo no início
da adolescência. “O problema é que esse investimento precoce ele não
pode parar ali, por que essa criança por melhor que seja ensinada vai se
tornar um adolescente e vão passar por um período de contestação das
regras”, comenta Biavati. O especialista explica que já passou da hora
dos responsáveis pela educação no trânsito conversarem com a área de
saúde. Os profissionais de saúde tem um olhar mais amplo por que eles
vão mostrar, por exemplo, que esses hábitos de saúde (padrão alimentar e
de consumo de álcool) estão relacionados ao trânsito. O investimento em
educação para o trânsito não deve parar no início da adolescência, pois
é nesse período que esses jovens devem desenvolver a consciência e o
respeito no trânsito.
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