quarta-feira, 6 de março de 2013


Mortes no trânsito: Brasil é o 4º do mundo




No carnaval de 2013, nas estradas federais, morreram 2,1 pessoas para cada um milhão de veículos. O Ministério da Justiça mudou a metodologia, para anunciar o total de mortes para cada milhão de veículos


Levando em conta esse critério temos comparativamente o seguinte, em 2010:

a) na China, as mortes chegaram a 70.000, para uma frota de 53.990.000 veículos, um total de 1.296 mortes para cada um milhão de veículos;

b) na Índia, em 2009, havia uma população de 1.144.734.000 e uma frota de veículos de mais de 121 milhões, apresentando um índice de mortes de 135.000, 1.109 mortes por cada 1 milhão de veículos, ficando atrás apenas da China. Porém, cabe notar que seus números são de 2009 (enquanto os da China são de 2010).

c) na Rússia foram 26.600 mortes, para uma frota de 38.010.000 veículos, ou seja, 699 mortes para cada 1 milhão de veículos;

d) já o Brasil, que tinha em 2010 uma frota de 64.817.974 veículos e registrou 42.844 mortes, no mesmo período, teve 661 mortes para cada 1 milhão de veículos.

e) nos Estados Unidos, o número de mortes foi de 32.885, 134 mortes para cada 1 milhão de veículos;

f) o trânsito europeu matou 31.030 pessoas, ou seja, 113 para cada 1 milhão de veículos;

g) o Japão é, dentre esses países, o que ostenta o menor número de mortes no trânsito: 4.863 mortes, em uma frota de 75.420.000 veículos, 64 mortes para cada 1 milhão de veículos.

Vejamos:


Comparando-se os EUA, a Europa e o Brasil, nosso país é o que mais mata, registrando uma morte a cada 12 minutos em 2010, enquanto na Europa e Estados Unidos uma morte ocorreu a cada 16.9 minutos e 16 minutos (respectivamente).




Nos Estados Unidos, em 2010, a população de 308.745.538 habitantes fazia uso de uma frota de 244.970.000 veículos, quase 794.000 mil veículos para cada 1 milhão de habitantes.

A Europa tinha uma população estimada de 501,79 milhões em 2010 e contava com uma frota de mais de 273 milhões de veículos, entre veículos de passageiros e de transporte, cerca de 544.000 para cada 1 milhão de habitantes.

O Brasil, no trânsito, é o 4º país mais violento do mundo. Portanto, mesmo alterando o critério do anúncio dessas mortes, não há como deixar de enfatizar que estamos diante de uma tragédia de proporções hecatômbicas. De outro lado, enquanto no Brasil esse número cresce 4% ano, na Europa acontece exatamente ao contrário (5% menos, a cada ano). É possível ver uma queda contínua nos últimos anos, segundo dados apresentados pelo Europe Comission, e diminuição de 10,9% entre os anos 2011 e 2012. Vejamos:


Não estamos percorrendo o caminho correto da prevenção, que passa pela Educação, Engenharia, Fiscalização, Primeiros socorros e Punição.





Lei Seca não resultou em ampla redução de acidentes



Uma pesquisa realizada pela Unitau revelou que a antiga Lei Seca não resultou na redução significativa dos casos de acidentes de trânsito no estado. Os dados obtidos mostram que, das 63 microrregiões de São Paulo, apenas cinco apresentaram grande redução nos índices após a implantação da norma.

O estudo leva em consideração itens como a proporção de casos para o número de habitantes de cada região e o crescimento da frota de veículos no período. Foram analisados os índices de acidentes de trânsito e óbitos por acidentes de trânsito ocorridos em 2007 e em 2009 (antes e depois da lei).

No estado, 31 microrregiões tiveram uma leve melhora na redução dos acidentes. Na contramão, 25 microrregiões tiveram leve piora nos indicativos, uma teve moderada piora e uma registrou grande piora.

Na Região Metropolitana no Vale do Paraíba – que é dividida em seis microrregiões, de acordo com classificação do IBGE –, houve leve melhora nas microrregiões de Guaratinguetá, Campos do Jordão, Paraibuna/Paraitinga e Caraguatatuba. Já as microrregiões de Bananal e de São José dos Campos apresentaram leve piora dos indicadores.

O levantamento foi publicado na Revista da Associação Médica Brasileira – importante publicação científica de abrangência internacional – em agosto. Ele foi realizado pela estudante do sexto ano do curso de Medicina da Unitau, Marcela Neves Nunes, sob orientação do Prof. Dr. Luiz Fernando Nascimento, do Departamento de Medicina.

O docente da Unitau explica que os dados podem estar relacionados a diversos fatores. “Nós fazemos o levantamento dos dados sobre os acidentes, as causas podem ter diversas explicações, como, por exemplo, a ingestão de álcool pelo motorista, a má conservação de estradas, a falta de sinalização e a imprudência dos motoristas. Cabe aos gestores identificá-las e adotar medidas para garantir a redução dos acidentes”, disse o docente e pesquisador.

De acordo com ele, um novo estudo deverá ser elaborado, com a análise de dados de antes e após a nova Lei Seca.